A TECNOLOGIA AUXILIANDO NA COMUNICAÇÃO DE CRIANÇAS AUTISTAS
Por Simone Tereza de Oliveira Ortega
UNINTER – Londrina
Data 10/09/2017
Fonte: http://www.mayer-johnson.com/media/category/boardmaker-family/boardmaker-studio/Boardmaker_Studio.gif
Professores do Atendimento Educacional Especializado (AEE) de Londrina utilizam um aplicativo de comunicação para a construção de materiais que são impressos e utilizados para auxiliar na aprendizagem de alunos autistas. Para garantir a acessibilidade e participação dos autistas em sala de aula, no início deste ano, por meio de um novo programa chamado Boardmaker, professores especializados da Escola Municipal Pinotti desenvolveram estratégias de ensino para que pudessem auxiliar na comunicação entre o professor de sala de aula e as crianças autistas. Esse projeto inicialmente destina-se a auxiliar alunos com autismo nas aulas de Língua Portuguesa nas séries iniciais. Embora, para o sucesso no uso do material e do aplicativo de comunicação, foi necessário um treinamento para a utilização destes recursos por todas as pessoas envolvidas no processo, isto é, o aluno, seu professor, os colegas, comunidade escolar e família.
O autismo ocorre a partir de uma deficiência na capacidade de interação social, pela limitação ou ausência de comunicação verbal, assim as pessoas autistas têm dificuldade para o conhecimento e aprendizagem. Já nos primeiros anos de vida da criança aparecem alguns sinais do autismo, como por exemplo, a ausência da fala, a não interação com outras crianças, pouco contato visual e quando os pais procuram um médico e seu filho recebe o diagnóstico desse distúrbio que pode ocorrer em diferentes níveis, começa a luta para que ela possa se desenvolver da melhor forma possível. Uma das estratégias utilizadas por alguns pais para resolver problemas simples do dia a dia, como a hora de escovar os dentes, dormir, comer; é o estabelecimento de uma rotina por meio de uma pasta de comunicação alternativa, em que são colocados vários símbolos gráficos PCS (Símbolos de Comunicação Pictórica), que representam mensagens.
Na verdade, são vários os procedimentos e profissionais necessários para que ocorra um desenvolvimento e inserção desse indivíduo na sociedade. Fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, psicólogos, nutricionistas, pedagogos trabalham com o objetivo de fazer com que a criança tenha uma rotina tranquila, consiga conviver socialmente e ganhe autonomia, até nas pequenas tarefas. Apesar da rede pública de ensino já oferecer atendimento às crianças autistas, o processo de inclusão na escola ainda é muito difícil. Pesquisadores da educação juntamente com esses outros profissionais têm buscado alternativas para que a inclusão dos autistas se torne mais fácil na vida escolar. Para tanto, a tecnologia assistiva (TA) é um recurso, estratégia e aplicação do conhecimento para resolução das dificuldades e visa ajudar as pessoas que possuem alguma deficiência a superar dificuldades e buscar autonomia. Essa tecnologia permite a aquisição do conhecimento e, no caso de pessoas autistas, a utilização da prancha de comunicação tem alcançado algum resultado. Essa ferramenta é um exemplo de Comunicação Alternativa (CA), e são capazes de ampliar a habilidade de se comunicar.
O boardmaker é um programa que apresenta que viabiliza a criação de pranchas de comunicação alternativa com vários recursos como por exemplo, atividades educacionais acessíveis, textos com símbolos, culinária, calendário personalizado além disso, possui em si a biblioteca de símbolos e permite a construção de recursos de comunicação personalizados, ou seja, utiliza imagens que fazem sentido para o usuário e, em se tratando de recursos de comunicação no ambiente escolar, correspondam às atividades e conteúdos propostos no currículo e atividades educacionais. Além dos símbolos PCS que já se encontram no Boardmaker é possível importar imagens capturadas na internet, em CDs específicos, fotografias digitais ou fotografias escaneadas de catálogos, livros de histórias ou didáticos. O boardmaker potencializa os seus recursos ao ser associado a um outro programa chamado Speaking Dynamically Pro, no qual acontece a emissão de voz pré-gravada ou sintetizada representativa da mensagem escolhida. Para comunicar-se com voz o usuário utilizará seu computador ou um vocalizador portátil.
Há vários aplicativos pagos e gratuitos na internet que apresentam pranchas de comunicação. Silvana Silva (42), professora do Pinotti, diz que “..a maioria desses aplicativos apresentam pouca evolução quanto aos símbolos e não conseguia ir além para ajudar meus alunos no processo de aprendizagem. Foi somente quando tive a oportunidade de aprender a trabalhar com os recursos do Boardmaker, e usá-lo efetivamente é que pude direcionar o aprendizado com sucesso”. Este é um bom exemplo do uso da tecnologia a favor da educação inclusiva.
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